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Segredo revelado

Segredo revelado

09.04.12

Se o Facebook fosse uma pessoa...


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Se o Facebook fosse uma pessoa, e já que qualquer pessoa tem qualidades e defeitos , qual seria a principal qualidade e o principal defeito de uma das redes sociais mais usadas no mundo?

A maior qualidade talvez seja o facto de estar sempre disponível, 24 horas por dia , 7 dias por semana, 365 dias por ano. Hoje em dia , no meio de uma crise que , mais do que nunca , obriga as pessoas a andarem sempre atarefadas com alguma coisa, tempo , além de ser dinheiro , é uma coisa rara.

Falta tempo para estar disponível para os familiares e amigos , falta tempo para a cultura , falta tempo para o desporto,...Enfim, não há muito tempo livre, o que leva a uma pouca disponibilidade para estar mais presente na vida daqueles de quem se gosta e podermos fazer aquelas actividades que gostaríamos.

Ele iria connosco ao cinema , levando-nos a ver um vídeo no Youtube...

Ele compraria bilhetes para a 1ª fila do concerto do nosso artista favorito, aquele artista que , por acaso , também é amigo do Facebook...

Ele teria o tempo , a vontade e a pericia para nos ajudar a cuidar da nossa quinta biológica...

Ele estaria sempre disposto a apresentar-nos um dos seus muitos amigos ...

Se o Facebook fosse uma pessoa , estaria sempre ali , sempre disponível e sempre pronto a receber-nos , e isso , a meu ver , é uma qualidade.

 

 

Mas se o Face tivesse qualidades de pessoa , também teria defeitos. Qual seria o seu maior defeito se fosse uma pessoa? A frieza afectiva.

Apesar de estar sempre ali , sempre tão presente e disponível , o Face não se apega afectivamente a nenhum dos milhões de ''amigos'' que todos os dias o visitam e contribuem para que ele seja mundialmente famoso.

Ele estimula as visitas dos ''amigos'', oferece-lhes músicas , jogos e noticias curiosas...

Ele gosta de likes , partilhas, perguntas e respostas,...

Ele gosta que o façamos sentir importante, gosta que falemos dele aos nossos amigos ,...

Ele vai connosco para o trabalho , vive na nossa casa , conhece os nossos animais , conhece a nossa família e conhece até alguns dos momentos mais importantes das nossas vidas,...

De facto , se pensarmos no Facebook e na relação que temos com ele , ele sabe realmente muitas coisas sobre nós e passa imenso tempo connosco. Mas alguém alguma vez ouviu falar que ele gostasse de alguém? Que tivesse criado algum vinculo afectivo com um dos seus milhões de amigos? Não! Esse tal de Facebook é , apesar de proclamar que gosta de aproximar as pessoas e fomentar a partilha e a amizade , uma ''pessoa'' egoísta e fria. Aquilo que de melhor oferece aos outros , não o oferece a troco de nada , oferece-o a troco de que os outros continuem a ''alimentar-lhe'' o seu ego e a sua fama.

Eu , como já disse num ou outro post anterior , tenho uma relação um bocado estranha com o Facebook. Tanto sou capaz de lá ir praticamente todos os dias e divertir-me imenso nuns momentos de lazer- sim, momentos de lazer , porque eu ainda não sou dos que diz que está, das 9 às 17 , no Facebook a ''trabalhar'' - , como , passados uns tempos , por este ou por aquele motivo , sou capaz de estar meses sem lá ir.

Mas isto sou eu , e eu sou uma ''ave rara'' no que diz respeito ao Face (e não só).

 

 

 

 

 

 

segredo revelado : O autor deste blog , longe de ser um ''Facebookólico'' , achou por bem fazer uma cura de desintoxicação do Face. Posso afirmar , não com orgulho , que o feito não é motivo para tanto , que estou ''limpo'' de Facebook vai para mais de 4 meses.

Pergunto-me a mim mesmo : - '' Se o Facebook fosse uma pessoa , com qualidades e com defeitos, será que já teria sentido a minha falta por lá?'' Não me parece que tivesse sentido!

Aliás , acho que até mesmo alguns amigos , esses sim pessoas de verdade , com qualidades e defeitos próprios de um ser humano, também não sentiram. {#emotions_dlg.lol}

21.03.12

O meu mês preferido...


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O meu mês preferido pode ou não ter 31 dias... o meu mês preferido pode ou não ter 30 dias... Uma coisa é certa , o meu mês preferido tem sempre , no mínimo , 29 dias.

E qual é esse mês preferido?

Será o mês de Janeiro , o mês que inicia um novo ano e que simboliza o início de um novo ciclo?

Será o mês de Fevereiro , o mês com menos dias ? Fevereiro é o mês Troika , curto e económico.

Ou será Março , quando chega a Primavera e quando a Natureza floresce ?

Se calhar é Abril o meu mês preferido, afinal de contas eu até nasci nesse mês. E em Abril, nalguns anos , é a Páscoa.

Maio...Maio é o mês do coração . Será Maio o eleito?

Junho , o mês dos santos populares , o mês das festas e arraiais.

Será Julho? Será Agosto? A gosto só mesmo o bom tempo destes 2 meses de Verão , embora eu dispense bem o excesso de calor que normalmente se faz sentir.

Em Setembro começam as aulas , fazem-se as vindimas...

Será Outubro? Será Novembro?

Ou será Dezembro , mês do Natal , dos serões passados ao quentinho da lareira ?

Qual é afinal o meu mês preferido?!

Bem, na verdade , para ser sincero na resposta , o meu mês preferido é o mês seguinte. {#emotions_dlg.tongue}

É , mês após mês , tenha esse mês o nome e a duração que tiver, o mês seguinte que me trará novas vivências ou a possibilidade de repetir as vivências passadas. É o mês seguinte que me vai permitir ficar mais sábio e mais velho. É o mês seguinte que me pode trazer o amor , a amizade , a saúde ou o dinheiro que os meses passados nunca me trouxeram.

E o que ambicionamos para o nosso futuro? Manter aquilo que o passado e o presente nos concederam e encontrar tudo aquilo que ainda não conseguimos ter.

O meu mês preferido? É aquele que lá vem , é o que segue a este , é o que representa o futuro.

 

 

 

 

segredo revelado : ''Devemos viver o Presente, estudando o Passado e preparando o Futuro.'' (provérbio popular)

 

 

 

 

02.11.10

o destino marca a hora...


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Cá estou eu a escrever mais um post inspirado pelo ''inspira-me'' do Sapo.

Consequências de um atraso...

Ora, um atraso ,  na maioria das vezes , representa um incómodo. Não é que em Portugal hajam muitos a importarem-se de cumprir horários , pois somos conhecidos também pela nossa recorrente falta de pontualidade.

Se algum compromisso é marcado para as 10 , não contem com a presença de todos os participantes nesse compromisso, antes das 10h20m. Na hora de justificar atrasos , tudo serve como motivo : o trânsito , o despertador que não tocou , o cão doente , a prima que apareceu no momento em que se ia a sair de casa, o clima , a dor de cabeça que apareceu,...whatever! Podemos não ser muito pontuais , mas criatividade não nos falta.

Chega de divagar. Eu sei que 7 em cada 10 vezes  chegamos atrasados , e vocês também sabem.Não há como negar.

Até o Orçamento de Estado de 2011 chegou atrasado! E as reuniões para debater as medidas que o novo orçamento, medidas urgentes, começam sempre atrasadas. Até a nossa classe politica é incapaz de dar bons exemplos de pontualidade.

Politiquices à parte , vou partilhar convosco uma experiência pessoal, um exemplo das consequências de um atraso.

Certo dia do ano de 2002, mais precisamente no dia 5 de Agosto , pego na mota e saio de casa. Destino: estúdio de tatuagens , para fazer a minha primeira, e única, por enquanto, tatuagem.

O dia estava marcado , a hora estava marcada...Só faltava mesmo marcar a pele com tinta.

Contrariando o hábito portuga de chegar atrasado , cheguei bem antes da hora. Estava ansioso , cheio de vontade de fazer a tatuagem. O tatuador , dando mostras de maior patriotismo que eu , chegou aí uns 25 minutos atrasado, mas em grande estilo ,  numa lindíssima mota Harley. (Que inveja!)

 Desde o começo da tatuagem até à sua conclusão , nada de atrasos. Tudo correu como estava previsto. Passadas cerca de 3 horas , eis que já a tão desejada tatuagem me cobria parte do braço. Confesso que até nem doeu tanto a fazê-la , como a pagá-la. Aí sim, doeu , embora fosse algo que eu desejava muito e já há alguns anos. Adiante...

Recomendações de higiene e cuidados a ter, umas palavritas de ocasião,... e são horas de ir para casa.

 

Antes de ir para casa , e como até ainda era cedo , fui visitar um colega de trabalho , um ucraniano, que morava ali por perto.

Cheguei a casa dele e quase antes de me cumprimentar , já ele pedia para ver a famosa tatuagem. Lá a mostrei a ele e à mulher, inchado de orgulho e de vaidade. Entre elogios à beleza da tattoo , uns quantos '' és doido. Isso deve ter doído para cara...ças'', bla bla bla bla, os ponteiros do relógio avançaram. Era quase hora de almoço, horinhas de ir para casa.

O Oleg e a mulher insistiram para eu almoçar com eles , mas eu recusei o convite, pois sabia que em casa me esperavam . Eu sei...Eu sei...Sou um menino muito bem comportadinho , escusam de me dizer. 

Despedi-me deles e meti pés , rodas da mota,ao caminho. Viagem rápida e sem percalços , passados 10 minutos estava eu a chegar à santa terrinha.

Nesse dia , um sábado , o meu irmão estava a trabalhar na casa de um sr. cá da nossa aldeia. Pensei em fazer um desvio rápido , para lhe ir mostrar a obra de arte que me embelezava o braço. ''Oh , qual quê?! Não vou. Mostro depois , quando ele vier almoçar'', pensei eu. Assim pensei , assim fiz. Fui logo directo a casa.

Cerca de 100 metros antes de chegar a casa, num local onde já se respirar o ar e a segurança do lar, doce lar , existe uma estrada que se cuza com uma outra. A visibilidade não é das melhores, mas o local até nem é perigoso.

Para meu grande azar , naquele dia , capacete enfiado na cabeça , o que dificulta ouvir os ruídos, barulho da mota a trabalhar, e uma condutora que conhecia mal a estrada, ia eu a passar a estrada, pimbas!, espetei-me contra a roda de um carro . Felizmente , e porque ia a arrancar a baixa velocidade, nem cheguei a cair , mas a pobre jante da roda da frente ficou numa lástima, toda torta. Fiquei logo fod..lixado da vida! A tatuagem já me ia sair bem cara!

Bem , o mais importante, depois de pensar bem no que poderia ter acontecido , era que eu estava bem Que se fod..lixasse a jante! Antes ela do que eu!

Passada aquela confusão que é normal gerar-se, ainda para mais numa aldeola, quando há um acidente , por mais pequeno que seja, lá fui eu para casa, com a mota ao ''colo'', arrastando-a , juntamente com mais 2 familiares.

Só passado um bocado dei por mim a pensar : -'' Dass! Porque raio fui visitar o Oleg?! Se não me tivesse atrasado lá , nada disto acontecia!''.

Há atrasos aos quais nem damos importância , mas que podem vir a originar consequências bem graves.

Por outro lado , por vezes mais vale chegar atrasado , evitando assim certos acontecimentos menos bons.

Chegando a tempo e horas , ou chegando atrasado , o que é preciso é ter a sorte de chegar bem ao destino!

 

 

 

segredo revelado : E se eu tivesse ficado em casa do Oleg, para almoçar? E se eu tivesse ido mostrar logo a tatuagem ao meu irmão? E se o tatuador se tem atrasado mais tempo? E se ele chegasse à hora marcada ,e não 25 minutos atrasado? E se eu tivesse demorado menos tempo na viagem até chegar a casa?

Tantos ''e se'', mas a verdade é que aconteceu o que tinha de acontecer, na hora que tinha de acontecer. Não houveram atrasos para a ocorrência daquele preciso momento do acidente, embora se possa pensar que foi um atraso que o motivou , ou então que se tivesse havido outro atraso , ele nem acontecia. Vá-se lá saber , ''né''?

Destino? Azar? Sorte? Acho que, bem vistas as coisas , um pouco de todas.  

 

20.09.10

o carteiro toca sempre 2 vezes


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Já nem me lembro quando, nem para quem e nem porquê escrevi uma carta pela última vez.

Os selos, o papel e a caneta parecem objectos jurássicos, caídos no esquecimento de muitos de nós. Hoje em dia , com a proliferação dos mais variados meios de comunicação à distância, são cada vez menos os que despendem uns quantos minutos a escrever uma carta.

Se fossemos ver a caixa de correio de milhões de portugueses veríamos lá muitas cartas , mas a maioria delas são facturas, o que demonstra bem o quão pouco se escrevem cartas manuscritas.

Actualmente , ao contrário de tempos já idos, todos se queixam da falta de tempo para fazer até as tarefas mais básicas. Se falta tempo para passar com os filhos , com os pais, com os amigos e com aqueles que nos acarinham, nem é de estranhar que falte tempo e vontade de escrever uma carta a alguém. Pega-se no telemóvel, liga-se o computador...puuuff...temos comunicação imediata e directa, por maior que seja a distância entre pessoas.

A tecnologia tem evoluído tanto , que, se assim o desejarmos , além da comunicação através da voz e da escrita no teclado, podemos ter uma comunicação visual, através de uma webcam ou do telemóvel.

Com todo este facilitismo e comodidade em contactar com alguém , quem se dá ao trabalho de escrever, meter selo , meter a carta nos correios e esperar uma carta como resposta à que enviou?! Poucos , tão poucos. Cada vez menos.

Tenho estado a ver se me lembro da última carta que escrevi , mas está realmente difícil. Agora , já nem nas épocas festivas( Natal, Páscoa, Ano Novo) , nem nos aniversários de familiares e amigos mando cartas ou postais. Agora, assumindo o meu lugar na lista daqueles que usam outros meios de comunicação , opto por telefonar , mandar mensagem ou enviar email.

Apesar de recorrer a essas formas de comunicação , ainda não caio na tentação, que a mim me desagrada, de enviar mensagens e emails com frases padrão, daquelas que se escolhem num catálogo na internet e que assumimos como nossas. Posso não ''perder'' tempo a escrever uma carta , mas ''perco'' todo o tempo a escrever uma mensagem personalizada, como se fosse um alfaiate a fazer um fato apropriado para aquela pessoa,só para ela.

 

 

 

Ora, mas afinal quando escrevi eu a última carta?! Sinceramente , não me lembro. Se não me lembro, quase de certeza foi há muuuiiiiito tempo.

Não me lembro da última carta , mas tenho bem presente na memória, apesar dos anos que já passaram , a quantidade de cartas que escrevia e que recebia de um amigo e vizinho de infância, que, por volta dos nossos 11 ou 12 anos, emigrou para terras do tio Sam. No sótão, algures numa caixa perdida entre tantas outras, ainda sobrevivem muitas dessas cartas. Uns anitos mais tarde, devido a uma mudança de residência dele, acabámos por perder contacto.

Uma outra fase em que escrevi muitas cartas , foi quando frequentava o inicio do ensino secundário. Antigo como sou , ainda sou do tempo da existência dos penpals, que não só permitiam o estudo da lingua inglesa, como também permitiam o contacto com outros jovens da nossa idade , mas a viverem noutros países , em realidades muito diferentes da nossa. Uma experiência enriquecedora , sem dúvidas!

E cartas de amor, quem as não escreveu? Eu escrevi umas poucas. As que me foram escritas foram bem menos, que cá o moço não despertava muito as hormonas do sexo oposto. Das que recebi , entre livros e cadernos empoeirados, guardo-as também. Vai ser giro, já velhinho e meio caquéctico, poder relê-las. Sei , de fonte segura, que algumas das que escrevi nos tempos de escola ainda resistem ao tempo e à fogueira, apesar da destinatária já ser mãe. Mãe, mas ainda tão bonita e parecida com a Pocahontas, como era então.

Saudosismos à parte , porque, inevitavelmente, o tempo passa e as vidas e os sentimentos mudam, é com alegria que sei que alguém guardou algo escrito por mim, há muito tempo. Os sentimentos mudaram, eu e ela mudámos, mas as palavras naquelas cartas e bilhetes permanecem as mesmas, indiferentes à passagem dos anos.

É essa uma das grandes ''magias'' das cartas manuscritas : conservam e despertam memórias e vivências. É pena que hoje em dia se apaguem essas memórias com a mesma facilidade que se apaga uma sms ou um email.

Uma carta , porque para se rasgar tem de segurar, tem de se tocar, de se ver, quiçá, ler um pouco, é muito mais difícil de eliminar. Tem uma presença física e palpável...tem a letra de alguém que queremos ou quisemos bem...tem , nalguns casos, um cheiro especial...Resumindo, tem um pouco de nós e de mais alguém.

Quem rasgaria com facilidade, sem pensar 2 vezes, um pedaço de nós ou de alguém?

E é com esta pergunta que acabo o post , sem ainda me conseguir lembrar de qual foi a última carta que escrevi. A PDI é tramada!

 

 

 

segredo revelado: Dei por mim a pensar : Será que estes posts que aqui vou escrevendo, podem ser considerados cartas?

Não há papel, caneta e nem há selos. Muitas das vezes , nem sequer há um destinatário directo. São cartas ''privadas'', mas abertas ao público. São cartas escritas a desconhecidos, que, por sua vez, as recebem de um desconhecido também.

Serão cartas? Se forem , então foi hoje o dia em que escrevi a última carta.

....

 

"Escrever cartas é a maneira mais deliciosa de perder tempo." (John Morley).

 

"Assim como as chaves abrem cofres, as cartas abrem corações." (James Howell)

 

 

 

15.09.10

''Só é tua a loucura Onde, com lucidez, te reconheças...''


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Somos um país pobre em muitas vertentes da nossa sociedade e história colectiva , mas se há vertente onde se encontram muitas e boas razões para nos sentirmos ricos , essa vertente é a nossa riqueza cultural.

Não temos um Shakespeare , nem um Dario Fo, nem Paulo Coelho , Jorge Amado, John Steinbeck, nem tantos outros autores de renome  internacional , mas temos Camões, temos Fernando Pessoa e seus heterónimos, temos Bocage, temos José Rodrigues dos Santos, temos Miguel Esteves Cardoso , Rita Ferro, temos Saramago, temos Mia Couto, que é um moçambicano portuga, e temos muitos e muitos mais, tal como Miguel Torga.

Confesso que não conhecia este poema da autoria de Miguel Torga, mas , porque alguém me citou a frase que dá o titulo a este post, tive a curiosidade de ir pesquisar, até descobrir que fazia parte deste poema , de seu nome '' Sísifo''. Gostei tanto do que li , que aqui partilho convosco o poema.

A titulo de curiosidade, para todos aqueles que, tal como eu , desconhecem o que ou quem é Sísifo, fica aqui a informação.

Sísifo - ''uma personagem da mitologia grega , condenado a repetir sempre a mesma tarefa de empurrar uma pedra de uma montanha até o topo, só para vê-la rolar para baixo novamente.''

Quando lerem o poema , vão perceber a associação entre Sísifo e a própria mensagem do poema.

Espero que gostem tanto como eu. 

 

 

 

Recomeça...

 

Se puderes

Sem angústia

E sem pressa.

E os passos que deres,

Nesse caminho duro

Do futuro

Dá-os em liberdade.

Enquanto não alcances

Não descanses.

De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,

Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.

Sempre a sonhar e vendo

O logro da aventura.

És homem , não te esqueças!

Só é tua a loucura onde, com lucidez, te reconheças...

 

Miguel Torga

 

 

 

 

 

 

 
 
segredo revelado: Será que me consigo reconhecer na minha loucura, com lucidez ? Ou será que sou mais um daqueles loucos que simula a sua própria sanidade e capacidade de a manter?
Ao contrário daquilo que Miguel Torga aconselha no seu poema, há frutos dos quais nem quero metade. Tenho medo de os colher, de os provar...Isso faz de mim mais louco ou mais são?
Não esperavam que fosse eu a responder, pois não? :P 

13.08.10

ajudar o próximo? O próximo sou eu!


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Ser solidário , ser caridoso, alinhar neste ou naquele movimento anti ou pró qualquer coisa e ajudar o próximo, são uma pequena amostra de coisas que são muito ''in''. Fica bem a qualquer pessoa , por mais sacana e egoísta que seja , assumir-se como uma verdadeira madre Teresa, sempre disposta a ajudar , sem qualquer interesse monetário ou de qualquer outro tipo, aqueles que são mais desfavorecidos. Ajudar o próximo é bom e parece bem.

Ando a pensar seriamente (not really) em fundar uma associação de cariz solidário. Se há associações que têm como finalidade apoiar causas tão nobres como a não extinção do cotão no umbigo , a preservação disto e daquilo , ajudas dos mais variados géneros a quem tem muita saúde e pouca vontade de trabalhar..., então também posso fundar a ''CHULO'', Colectividade humanitária unida lobby ostentação.

Imprimo uns panfletos e crio uma página web, onde possa dar a conhecer as minhas carências e necessidades, como por exemplo a necessidade de ter mais dinheiro no banco , uma casa maior e mais bem equipada ,ter um LCD, ter uma mota nova, ter um pc novo, ter roupa de marcas conceituadas, entre muitas outras coisas.

Quase de certeza que alguém me diria que isso tudo são bens materiais , e que esses bens não trazem felicidade nem saúde. É verdade que não trazem , mas, em alternativa , trazem um conforto danado à vida de qualquer pobretanas de classe média.

 

(Ora digam lá que o gajo não tem boas ideias. {#emotions_dlg.lol})

Há quem diga que a classe média vive bem. A classe média não é pobre? Lol. Neste nosso país é!Só assim se justifica que pessoas que até têm uma qualidade de vida razoável e um poder de compra que até permite passar horas afim no café , a fazer vidinha de Lorde, recebam o famoso RSI, o rendimento mínimo.

Mínimo? Mínimo é aquilo que eu ganho trabalhando a terra, sujeitando-me a andar debaixo de um sol abrasador , contrariando os conselhos da Diirecção Geral de Saúde.

Na passada 3ª feira aconteceu-me um caso curioso, caso esse que, junto com uma das ideias ''inspira-me'', veio a dar origem à escrita deste post Vieram-me bater à porta 2 fulaninhos, cheios de papelinhos nas mãos. Pensei logo para mim : ''Huuum, não devem vir dar nada!''. E não vinham mesmo! Vinham fazer um peditório para uma qualquer associação de apoio a toxicodependentes e alcoólicos. Apoio? E quem me apoia a mim? Por não andar metido nas drogas ou na pinguinha (se calhar devia andar metido!) sou menos merecedor de ser ajudado? Opa , quando eu for cavar, semear ou colher alguma coisa , venham ajudar, sejam solidários ! É o vêm! Enfim..

Com toda esta boa vontade e bom humor que o post transmite , lá me queixei da crise , de como a vida está difícil e o dinheiro está caro. Mesmo assim , como desde pequeno fui ensinado de que grão a grão enche a galinha o papo, peguei numa moedita de 1 eur e dei-a aos srs. Qual não é o meu espanto quando um deles me diz: ''Só 1 euro? Não pode dar mais qualquer coisa?''

A minha grande vontade foi dar-he um pontapé algures. Pobres , necessitados , mas mal agradecidos! Só lhes perguntei : '' quanto me deram a mim? alguma vez me deram algo? alguma vez fui apelar à vossa solidariedade?'' Pró raio que parta a solidariedade !

Todos apelam à nossa solidariedade. O Governo apela à solidariedade social como forma de combater certas desigualdades sociais, mas é o 1º a não dar mostras de grande solidariedade , de cada vez que nos mete a mão no bolso, já de si tão vazio, e nos tira mais uns euros para impostos.

Até a Igreja nos impele e nos apela para a solidariedade e para a ajuda ao próximo , como vem explicado nos Evangelhos. Pois, a Igreja é realmente muito solidária... com o dinheiro de milhões de fiéis solidários com a Igreja!

Ajudar o próximo? Pois, desta vez o próximo sou eu!

O próximo sou eu!

segredo revelado:
Ora muito bem! Se tivermos mãos capazes de trabalhar  e vontade para as usar , resolvemos nós mesmos parte dos problemas que nos aflijam, sem precisar de recorrer a ajudas de terceiros , apelando à sua solidariedade.

Nunca compreendi a solidariedade. Aceitei-a como artigo de fé tradicional. Se tivéssemos coragem de a afastar completamente, livrar-nos-íamos do peso que incomoda a nossa personalidade (Autor: Henrik Ibsen)
...

A consciência e o medo de ser julgado pelo vizinho do lado , por deixar de ser solidário com um ''pobrezinho'' qualquer, pesa realmente muito na nossa tomada de decisões. Será que a solidariedade, aquela solidariedade que é exercida  mas não é sentida , pode ser considerada solidariedade?

Cá para mim,  não. É mas é uma espécie de vaidade e de exteriorização de superioridade em relação a alguém numa posição frágil. É , apenas e somente , um acto para inglês ver.

 

26.07.10

tanto tempo tem o tempo


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O Homem é, desde o momento em que nasce , um animal de hábitos.

À medida que vamos aprendizando novas tarefas , acabamos por memorizá-las e por fazer delas um hábito. Há hábitos que aprendemos , mas que acabam por serem subtituídos por nvos hábitos mais adequados à nossa idade e às experiências vividas.

Ainda bebés, habituamo-nos à presença dos nossos pais. Eles estão sempre lá junto a nós. Habituamo-nos a , desde os nossos primeiros anos de vida , contar com a sua presença e ajuda para satisfazer as nossas necessidades mais básicas, fisícas e emocionais.

A mãe, a mulher que nos carregou no ventre durante 9 meses , é a protectora, a alimentadora, é a mão que nos embala  ou nos seca as lágrimas...

O pai também está sempre por perto , embora seja normal que esteja mais ausente , devido à maioria dos pais , especialmente na geração dos meus pais , ser a fonte de sustento da casa, ausentando-se dela para trabalhar.

E a mãe? A mãe acompanha o filho. É uma presença contínua na vida do filho, acompanhando muito mais de perto, sendo mais presente.

Sei bem que cada caso é um caso, mas , quase sempre , os filhos , menino ou menina , acabam por desenvolver uma relação mais forte e de maior proximidade com a mãe , prolongando no tempo a ligação umbilical que um dia os uniu.

Não sei se foi/é assim convosco , mas eu, apesar de gostar muito do meu pai , sempre tive uma relação mais próxima e mais forte com a minha mãe.

 

 

Ainda sou do tempo em que haviam muitas mães a tempo inteiro. A minha mãe era assim , uma mãe a tempo inteiro.O facto de ela ser doméstica e só trabalhar, fora de casa, em ocupações sazonais, fez com que pudesse ser uma mãe bastante presente.

Como eu disse logo no inicio deste post , ''O Homem é, desde o momento em que nasce , um animal de hábitos.''. E é assim até no que toca a hábitos associados a determinadas pessoas.

Desde sempre, ao longo de toda a minha vida, me habituei a ter uma mãe presente. Era um hábito tão habitual (grande redundância esta , eu sei), tão entranhado em mim , no meu dia-a-dia , que acabei por , inconscientemente , tomá-lo como garantido, como um hábito que se perpetuaria no tempo.

A nossa mãe e o nosso pai , apesar de o tempo também os afectar, apesar de terem todas as mesmas fragilidades corporais e emocionais de qualquer ser humano, apesar de serem 'pilares'' que sustentam a nossa existência, apesar de serem os nossos eternos e infalíveis heróis, não são eternos. Também adoecem e também morrem. Foi o que aconteceu com a minha mãe.

Eu já não era uma criança quando o cancro lhe bateu à porta, mas, hoje que, com alguma frieza e distanciamento, penso nisso, acho que até há pouco menos de 2 anos ,altura da sua morte , a julgava eterna.

Ok, eterna tlvez seja um exagero, mas , no minimo , nunca pensei (e acho que poucos filhos pensam) que a minha mãe morresse ainda antes de fazer 60 anos.

La está! Sou um animal de hábitos. Habituei-me a vê-la sempre bem , sempre forte e com saúde, sem grandes problemas de maior. Idealizei uma mulher, uma mãe, à prova de tudo.

Por não pensar sequer que a poderia perder tão cedo, deixei passar em branco a oportunidade de lhe dizer sempre o quanto a amava, o quanto lhe queria bem e lhe agradecia (e ao meu pai , claro) ser o homem que hoje sou. Quando se julga que temos tempo... que temos muito tempo junto daqueles que amamos, descuramos os pequenos gestos , as pequenas palavras...descuramos fazer-lhes sentir o quanto os amamos.

Se há coisa onde sinto que falhei como filho , ter guardado para o amanhã aquilo que poderia e deveria dizer no próprio momento , foi uma dessas coisas.

Durante muitos anos , mais precisamente durante 28/29 anos da minha vida, se há coisa que fiz mal - e sei que fiz muitas, mais ou menos importantes -  essa coisa foi ter deixado por dizer muitas palavras de carinho,apreço e admiração dirigidas, entre outras , à minha mãe.

Foram muitos anos... muitos meses... muitos dias...horas... de pequenos ''nadas'' , de pequenos erros.

No momento em que acordei , despertado pelo cancro que a minha teve e pela possibilidade de que ela sucumbisse às mãos dele, era tarde demais para dizer tudo o que em 29anos tinha deixado por dizer , por fazer.

Hoje , passados quase 2 anos desde a sua morte , sei que faço menos coisas mal , que deixo menos coisas por dizer àqueles de quem gosto, mas fico sempre com a estranha e dolorosa sensação de que passei 29 anos a fazer tanta coisa mal e que , apesar da minha tentativa de fazer melhor , continuo a não fazer tudo do melhor jeito.

O tempo tem tanto tempo. Será que tenho tempo suficiente para ser melhor e para fazer melhor?

É tempo de fazer e de ser mais e melhor!

 

 

 

 

segredo revelado:  “O tempo pergunta ao tempo quanto tempo o tempo tem. O tempo responde ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem.”

É verdade que há muito tempo, mas também é verdade que , na maior parte do tempo, fazemos um mau uso do nosso tempo, ficando com pouco tempo para tudo aquilo e para todos aqueles com quem partilhamos o nosso tempo e um grande pedaço do nosso coração e pensamentos.

Tomar como garantido alguém na nossa vida , é das piores coisas que se podem fazer. Um dia a pessoa desaparece e muitas coisas podem ficar por dizer.

É tempo de fazer bem as coisas, optando por usar bem o nosso tempo.

09.07.10

allo allo - uma série a sério


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''Listen carefully, i shall say this only once''...

Uma série , entre outras , que recordo com saudade , é a série ''allo allo''. Muitas foram as gargalhadas que soltei ao ver essa série.

Passados vários anos, ainda me lembro dos nomes de muitas das personagens , assim como das divertidas frases que lhes eram inerentes.

Se vejo alguma reposição ou alusão à série , digo para mim mesmo aquilo que diria o monsieur Alphonse , o cangalheiro - ''Uuh my ticky ticker'', que é como quem diz ''ai a minha ''maquineta'' cardíaca está emocionada!''.

Á semelhança do que era retratado no programa - a invasão alemã- também a TV portuguesa tem vindo a ser invadida. Ligamos os televisores e somos bombardeados com séries e mais séries , muitas delas de qualidade e de gosto muito discutíveis. Se calhar, talvez por causa da idade ser outra- já não sou mais aquele adolescente imberbe que se divertia imenso a ver TV , nomeadamente o ''allo allo''- vejo cada vez menos tv. Das raras vezes que ligo a televisão, faço-o por um de três grandes motivos : futebol, uma boa série , telejornais ou algum talk show onde o humor se faça sentir. Ups, afinal são quatro os motivos. A matemática não é mesmo o meu forte.

Como o René , uma das personagens da série,  que tinha um coração tão grande, que se dava ao ''luxo'' de amar as 2 criadas, também eu me dou ao luxo de ''amar'' vários géneros televisivos, vários canais e vários apresentadores(as),actores e actrizes . Uma coisa me diferencia do René. Ele tinha um compromisso legal e religiso com a sua esposa , Edith, por isso ''amava'' as criadas em segredo. Eu , que nunca assinei nenhum contrato , nem nunca jurei amor eterno a qualquer canal ou série , é às claras que assumo as minhas predilecções televisivas.

 

 

Todos aqueles que , como eu , viram a série e gostaram , se devem lembrar das personagens alemãs. Herr Flick , Helga, Otto e o(u)t(r)os, simbolizavam o invasor, mas eram igualmente divertidos e desastrados nos seus intentos de recuperar o famoso quadro da Madonna das maminhas descaídas ( se esta Madonna fosse a cantora , volvida mais de uma década , o nome do quadro seria muito desadequado, pois as maminhas dela não parecem nada descaídas).

E os ingleses? Lembram-se deles? Só de me lembrar daquele sotaque british-afrancesado, já me rio. E que bem que eles se disfarçavam! Num dos episódios, aqueles mestres do disfarce , para passarem um posto de controlo das patrulhas alemãs, disfarçaram-se de cavalo. Se eu não soubesse que eram eles , até a mim me conseguiam enganar.

Edith, dona de uma voz de cana rachada; Fanny , sogra surda de René;  monsieur Leclerc (será o fundador dos hipers com o mesmo nome?)... Nomes de personagens que não mais esqueci.

Bem! Chega de saudosismos. Cada coisa tem o seu tempo de existir e de terminar, mas...

Com tanta porcaria ( a vontade foi de escrever ''merda'' , mas não se podem escrever merdas dessas num blog de gente séria) que passam na tv, sejam novelas , séries actuais , filmes mais que vistos e revistos, reallity shows sem jeito nenhum,... bem que se podiam lembrar de voltar a transmitir o ''allo allo' num dos canais de sinal aberto. Ao contrário do que os directores de programação dos canais possam pensar , nem todos nós temos acesso a canais como a RTP memória. Eu , por exemplo , sou um dos que não tem .

Sou pobretanas , não tenho a RTP memória , mas , felizmente , e se isso puder ser considerado um tipo de riqueza de algum género , sou rico por ter presente na minha memória séries tão boas como o ''allo allo''.

 

 

 

 

 

segredo revelado: Ainda há dias atrás , na semana passada , se não estou em erro , tive ocasião, juntamente com outras 2 pessoas, de recordar algumas músicas e programas de TV que pautaram a nossa adolescência.

Como é óbvio, ''allo allo'' veio à baila, tal como : Ponderosa, Modelo e detective, Esquadrão classe A , O justiceiro, 5ª Dimensão e muitos mais.

Ate houve quem se tenha lembrado da série ''Marés vivas'' , onde entrava a actriz Pamela Anderson. Não , não fui eu o 1º a lembrar-me!

Se há músicas que marcam momentos bons da nossa vida, também há séries que têm esse efeito , quanto mais não seja , pelo bem-estar e diversão temporária com que nos brindam.

Até os adultos mais sisudos e sérios, ao reverem séries dos seus tempos de jovens descomplexados e despreocupados , ganham logo um novo brilho no olhar e um sorriso nos lábios.